Uma colher de pau, do bloco ao acabamento
A colher é o primeiro projeto que a maioria dos entalhadores termina, e o mais arruinado nos últimos vinte minutos. Quase toda falha volta à sequência: escavar depois de modelar, afinar o cabo antes de a concha estar pronta, ou seguir além do ponto em que a parede ainda tem espessura para correção.
Escolher o bloco
Para uma primeira colher, um bloco de fio reto de 40 x 60 x 200 mm é generoso e perdoa erro. A tília entalha fácil mas amassa no uso; se a colher é para cozinha e não para prateleira, cerejeira ou ácer valem o esforço extra.
O fio precisa correr no comprimento da colher, não atravessado. Um cabo com fio transversal quebra no pescoço na primeira vez que for usado para levantar qualquer coisa, e nenhuma espessura impede isso.
A ordem que funciona
- Desenhe o contorno na face de cima e o perfil lateral no canto. Os dois, antes de qualquer corte — o perfil lateral é o que o iniciante pula e o que determina se a concha assenta reta.
- Serre ou fenda o excesso fora do contorno, parando dois ou três milímetros antes da linha.
- Escave a concha. Isso vem antes de modelar o lado de fora, porque uma concavidade pode ser aprofundada, mas um lado externo já fino não pode ser engrossado.
- Modele o lado de fora da concha acompanhando a concavidade, trabalhando por espessura constante de parede e não por linha desenhada.
- Modele o cabo por último, quando nada mais for apoiado ou firmado contra ele.
- Refine a superfície com a faca e depois finalize.
Escavar
Trabalhe com goiva ou faca de gancho da borda em direção ao centro, em passadas curtas, girando a peça o tempo todo. A concha tem fio correndo em todas as direções em relação ao seu corte, então nenhuma direção única funciona na volta inteira; você está sempre cortando da borda alta para o centro baixo, em qualquer lado em que esteja.
Vá até uns 12 mm de profundidade para uma colher de mesa. Confira a profundidade com um prego ou um lápis atravessado sobre a borda, e não a olho, que superestima com constância.
Espessura de parede, e quando parar
Mire de 4 a 5 mm nas paredes da concha. Abaixo de 3 mm a madeira começa a flexionar sob a faca e todo corte seguinte trepida em vez de fatiar.
O teste é a luz: levante a concha contra a janela. As áreas finas brilham, e esse é o sinal para parar de tirar material dali, não para igualar afinando todo o resto.
O pescoço
O ponto em que o cabo encontra a concha é o de maior esforço da colher inteira e o mais propenso a ser afinado demais, porque é visualmente satisfatório deixá-lo delicado. Deixe-o perceptivelmente mais grosso do que parece certo — pelo menos 10 mm de seção — e modele-o pelo perfil, não reduzindo a seção transversal.
Acabar a superfície
Colher acabada na faca dispensa lixa e se comporta melhor sem ela, porque lixar comprime fibras que depois levantam quando molhadas. Dê uma passada final com faca bem afiada em todo o lado de fora, deixando facetas rasas que capturam a luz.
No óleo, use algo próprio para alimentos e que endureça: linhaça crua, óleo de nogueira ou um óleo secante específico. Inunde a superfície, deixe vinte minutos, retire tudo que não penetrou e repita diariamente por três dias. Óleo mineral é seguro mas nunca endurece, então precisa de reaplicação constante.
Deixe a colher descansar uma semana antes de usar. O óleo termina de secar e endurecer nesse tempo, e uma colher lavada no primeiro dia costuma sair manchada nos pontos em que o acabamento ainda não tinha assentado.